O BB enviou para seus funcionários um novo Boletim Pessoal, no qual se vangloria simplesmente por estar cumprindo o Acordo Coletivo assinado. Achamos estranho, pois Acordo Coletivo tem força de lei e o mínimo que se espera de uma empresa controlada pelo governo é o cumprimento da lei.
Enquanto isso, nossa reivindicação prioritária, a jornada de seis horas, continua sem uma proposta concreta. O BB se nega a discutir a proposta com todo o movimento sindical. Pretende transformar nossa principal bandeira de luta em um ataque contra nós, implementando de forma unilateral a jornada de seis horas, com redução salarial, e sem garantir o pagamento do valor integral referente às duas horas trabalhadas a mais, pelo menos nos últimos cincos anos, como muitos colegas têm conseguido garantir na justiça.
Mas essa medida não é uma questão isolada. O assédio moral coletivo no processo de compensação de horas teve o objetivo de buscar nos enfraquecer para as lutas futuras. O BB se vangloria, no seu boletim, que 72% das horas foram compensadas: isto não se deu por livre decisão dos bancários. Só ocorreu depois de muitas ameaças, coletivas e individuais.
O ano de 2013 não será de flores. O Conselho Diretor já anunciou que seu objetivo é reduzir a folha de pagamento.
Para atingir esta meta, todos os "métodos" têm sido utilizados. Na DITEC, o banco descomissionou colegas que ganharam ação de seis horas na justiça. A truculência foi tamanha que a maioria dos colegas já foi recomissionada por decisão judicial. Em um precedente gravíssimo, o BB demitiu, sem abertura de inquérito administrativo, um colega da DICRE, em Brasília. O BB iniciou um processo de reestruturação que pretende fechar vários setores importantes da área meio pelo país. A reestruturação das CSL e CSO é nacional. Ela está sendo implementada aos poucos, como tática para dificultar nossa resistência. Esta reestruturação aprofunda a centralização dos serviços da área meio, concentrando-os em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba. Se o BB seguir utilizando o mesmo método, podemos ser pegos de surpresa por reestruturações em outros setores a qualquer momento.
Devemos construir, a partir da base, a luta coletiva da categoria. Já há exemplos pelo país, que devem ser seguidos e aprofundados: a Tecnologia, em Brasília, já realizou três paralisações. Em Pernambuco e aqui no Rio, já foram realizadas duas audiências públicas na Assembleia Legislativa, onde foram exigidas explicações do BB sobre o processo de reestruturação.
Mas além das iniciativas locais, a Contraf/CUT tem que propor um calendário nacional de mobilização que enfrente a situação. Não podemos ficar assistindo o Banco cometer todos esses ataques contra nossas condições de trabalho, sem nos organizarmos para resistir. Tanto os processos de reestruturação, quanto o plano para jornada de 6hs a ser apresentado, terão impacto sobre o conjunto do funcionalismo, portanto, para demonstrarmos nossa força, precisamos de uma campanha nacional.
Náo dá mais para aceitarmos este SILÊNCIO de ambas as partes. Os ataques não vão esperar o Carnaval passar...
Sindicatos importantes como do Rio de Janeiro e São Paulo, ligados a Contraf/CUT, precisam estar a frente de campanhas que exijam que o Banco pare com o desmonte, centralização e terceirização dos serviços das áreas meio. Precisam exigir que o Banco nos apresente e negocie sua proposta para a jornada de 6hs antes de implementá-la.
Discuta estes temas com seus colegas de trabalho. Ajude-nos a pressionar a direção do Sindicato para a convocação de plenárias e assembleias.
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