A greve dos
garis do Rio tem muito a ensinar a todos os trabalhadores e, em especial, a
nós, bancários. Durante a
greve, iniciada no carnaval, eles enfrentaram o sindicato pelego, a
intransigência do prefeito Eduardo Paes e da direção da Comlurb, as ameaças de
demissão e a coação para que voltassem a trabalhar (a Prefeitura utilizou
inclusive a PM e a guarda municipal). Enfrentaram ainda o TRT que julgou a
greve ilegal e a grande mídia que, como sempre, fez de tudo para desqualificar
a greve. O sindicato, a revelia da categoria, fechou um acordo de 9% de
reajuste com a prefeitura. Aliados do patrão, os “representantes” dos
trabalhadores não só tentaram impedir a greve, mas fizeram de tudo para
desmoralizá-la e derrotá-la. Apesar da luta contra todos aqueles poderosos
parecer impossível, os garis seguiram em frente. Sem medo, com alegria e
orgulho, os trabalhadores tomaram as ruas da cidade em assembleias e
manifestações e ganharam o apoio da população. A força da unidade e organização
dos garis superou o sindicato pelego e a intransigência do Prefeito. Os garis
lutaram e saíram vitoriosos!
O índice de
37% conquistado por eles elevou o piso para R$ 1.100,00. Apesar de ainda longe
do ideal, o acordo fechado com a Prefeitura foi uma grande vitória. Os garis
pediam um índice de reajuste de 40%. Conseguiram também o aumento do vale
refeição de R$ 12 para R$ 20, conforme o reivindicado, e a anulação das
demissões anunciadas pela prefeitura.
Pisos dos bancários
O novo valor
do piso dos garis é maior que o piso de ingresso de um bancário de portaria,
contínuo ou servente (R$ 1.048,91) e bem próximo do piso de ingresso de um
escriturário ou caixa (R$ 1.503,32). Se considerarmos os 40% de insalubridade,
o piso dos garis (R$ 1.540,00) supera todos os pisos de ingresso da categoria
bancária. Se falarmos, então, dos trabalhadores terceirizados que prestam
serviço de limpeza para os bancos e que não são considerados bancários, a
disparidade é muito maior. A maioria destes trabalhadores ganha o valor de um
salário mínimo, quando não levam calote da empresa terceirizada. E os bancos,
ao mesmo tempo em que terceirizam e lavam as mãos em relação a estes
trabalhadores, fazem propaganda da sua “responsabilidade social”.
As greves bancárias
A categoria
bancária tem enfrentado dificuldades semelhantes àquelas enfrentadas pelos
garis. Nas nossas campanhas salariais se repetem os roteiros prontos que
envolvem a intransigência do governo e dos banqueiros, o peleguismo da Contraf
CUT e dos seus sindicatos aliados, as pautas e os acordos rebaixados, o assédio
moral e a coação para que os bancários não façam a greve. Infelizmente, os resultados
não tem sido os mesmos.
Nos bancos
públicos, a política consciente de manter a maior parte do salário nas
comissões tem provocado uma divisão dos bancários, entre aqueles que “podem” e
os que “não podem” fazer greve. Toda a pressão sofrida pelos bancários, aliada
à experiência com as traições das direções sindicais cutistas, tem feito muitos
colegas optaram por saídas individuais, pensando exclusivamente no seu
encarreiramento. Esta escolha, no entanto, os mantém reféns do assédio moral e
da pressão que, mais cedo ou mais tarde, os adoecerá. Nos bancos privados, a
pressão é na forma de ameaça de demissão, fazendo com que a adesão à greve seja
muito baixa, praticamente restrita aos locais onde o sindicato monta piquete.
Uma greve
frágil, com os negócios que interessam aos bancos sendo realizados, sem
participação dos bancários e controlada pela direção traidora da Contraf CUT
não pode ser vitoriosa. Precisamos superar a divisão da categoria, nos unir em
uma única luta e não parar diante da traição de qualquer sindicato ou da
intransigência dos governos e dos banqueiros. Trabalhamos no setor mais
lucrativo do país e que acumulou nos últimos anos os maiores lucros da sua
história! Vimos que os resultados recém-divulgados do ano de 2013 significaram
mais lucros recordes, mesmo diante de um cenário de estagnação da economia do
país.
Os professores garis nos ensinaram que não há
sindicato pelego, governo ou patrão capaz de segurar a categoria unida e
organizada, disposta a lutar e vencer!
Saudamos os garis por sua luta e vitória!
O ano de 2014 terá a Copa do Mundo e as eleições
presidenciais, aumentando o poder de pressão dos trabalhadores. Chamamos os
bancários a aprenderem com a experiência dos garis e a começar, desde já, a
construir as lutas vitoriosas deste ano!

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