sexta-feira, 21 de março de 2014

O QUE OS BANCÁRIOS PODEM APRENDER COM OS GARIS


               A greve dos garis do Rio tem muito a ensinar a todos os trabalhadores e, em especial, a nós, bancários. Durante a greve, iniciada no carnaval, eles enfrentaram o sindicato pelego, a intransigência do prefeito Eduardo Paes e da direção da Comlurb, as ameaças de demissão e a coação para que voltassem a trabalhar (a Prefeitura utilizou inclusive a PM e a guarda municipal). Enfrentaram ainda o TRT que julgou a greve ilegal e a grande mídia que, como sempre, fez de tudo para desqualificar a greve. O sindicato, a revelia da categoria, fechou um acordo de 9% de reajuste com a prefeitura. Aliados do patrão, os “representantes” dos trabalhadores não só tentaram impedir a greve, mas fizeram de tudo para desmoralizá-la e derrotá-la. Apesar da luta contra todos aqueles poderosos parecer impossível, os garis seguiram em frente. Sem medo, com alegria e orgulho, os trabalhadores tomaram as ruas da cidade em assembleias e manifestações e ganharam o apoio da população. A força da unidade e organização dos garis superou o sindicato pelego e a intransigência do Prefeito. Os garis lutaram e saíram vitoriosos!
                            O índice de 37% conquistado por eles elevou o piso para R$ 1.100,00. Apesar de ainda longe do ideal, o acordo fechado com a Prefeitura foi uma grande vitória. Os garis pediam um índice de reajuste de 40%. Conseguiram também o aumento do vale refeição de R$ 12 para R$ 20, conforme o reivindicado, e a anulação das demissões anunciadas pela prefeitura.

Pisos dos bancários

                             O novo valor do piso dos garis é maior que o piso de ingresso de um bancário de portaria, contínuo ou servente (R$ 1.048,91) e bem próximo do piso de ingresso de um escriturário ou caixa (R$ 1.503,32). Se considerarmos os 40% de insalubridade, o piso dos garis (R$ 1.540,00) supera todos os pisos de ingresso da categoria bancária. Se falarmos, então, dos trabalhadores terceirizados que prestam serviço de limpeza para os bancos e que não são considerados bancários, a disparidade é muito maior. A maioria destes trabalhadores ganha o valor de um salário mínimo, quando não levam calote da empresa terceirizada. E os bancos, ao mesmo tempo em que terceirizam e lavam as mãos em relação a estes trabalhadores, fazem propaganda da sua “responsabilidade social”.

As greves bancárias

                          A categoria bancária tem enfrentado dificuldades semelhantes àquelas enfrentadas pelos garis. Nas nossas campanhas salariais se repetem os roteiros prontos que envolvem a intransigência do governo e dos banqueiros, o peleguismo da Contraf CUT e dos seus sindicatos aliados, as pautas e os acordos rebaixados, o assédio moral e a coação para que os bancários não façam a greve. Infelizmente, os resultados não tem sido os mesmos.
                   Nos bancos públicos, a política consciente de manter a maior parte do salário nas comissões tem provocado uma divisão dos bancários, entre aqueles que “podem” e os que “não podem” fazer greve. Toda a pressão sofrida pelos bancários, aliada à experiência com as traições das direções sindicais cutistas, tem feito muitos colegas optaram por saídas individuais, pensando exclusivamente no seu encarreiramento. Esta escolha, no entanto, os mantém reféns do assédio moral e da pressão que, mais cedo ou mais tarde, os adoecerá. Nos bancos privados, a pressão é na forma de ameaça de demissão, fazendo com que a adesão à greve seja muito baixa, praticamente restrita aos locais onde o sindicato monta piquete.
                                Uma greve frágil, com os negócios que interessam aos bancos sendo realizados, sem participação dos bancários e controlada pela direção traidora da Contraf CUT não pode ser vitoriosa. Precisamos superar a divisão da categoria, nos unir em uma única luta e não parar diante da traição de qualquer sindicato ou da intransigência dos governos e dos banqueiros. Trabalhamos no setor mais lucrativo do país e que acumulou nos últimos anos os maiores lucros da sua história! Vimos que os resultados recém-divulgados do ano de 2013 significaram mais lucros recordes, mesmo diante de um cenário de estagnação da economia do país.


Os professores garis nos ensinaram que não há sindicato pelego, governo ou patrão capaz de segurar a categoria unida e organizada, disposta a lutar e vencer!


Saudamos os garis por sua luta e vitória!


O ano de 2014 terá a Copa do Mundo e as eleições presidenciais, aumentando o poder de pressão dos trabalhadores. Chamamos os bancários a aprenderem com a experiência dos garis e a começar, desde já, a construir as lutas vitoriosas deste ano!



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