Neste 8 de março, dia internacional da mulher,
mais uma vez as mulheres foram às ruas dizer basta ao machismo e a tudo que ele
causa. A principal bandeira do movimento feminista hoje é o fim da violência
contra as mulheres que atinge índices alarmantes. A cada 2 minutos, uma mulher
é espancada em nosso país. A cada ano, quase 6 mil mulheres são assassinadas.
Na maioria dos casos o agressor é alguém próximo (marido, namorado ou ex) e os
crimes ocorrem sobretudo por motivo de ciúmes ou traição, evidenciando o peso da
ideologia machista que predomina na sociedade.
Em 2012, foram registrados mais de 50 mil estupros e sabemos que este é
um crime subnotificado, pois muitas vítimas, por vergonha ou devido à
impunidade, não fazem registro.
O
machismo se expressa também na diferença salarial entre homens e mulheres (as
mulheres chegam a receber até 30% a menos que os homens), no fato dos trabalhos
mais precarizados e desvalorizados serem realizados em sua maioria por
mulheres, na divisão desigual do trabalho doméstico e na mercantilização do
corpo feminino.
As mulheres nos bancos
Nos
bancos, apesar das mulheres serem metade da categoria elas ainda se concentram
nas faixas salariais inferiores, sofrem com a terceirização e são as maiores
vítimas do assédio moral e sexual. Os bancos desrespeitam a lei e obrigam os
bancários a trabalhar 8 horas. As mulheres sofrem mais com essa extensão da
jornada pois, devido à desigualdade que ainda existe em relação ao trabalho
doméstico, elas acumulam duas ou, às vezes, três jornadas de trabalho.
Falta dinheiro para as mulheres, mas
sobra para os empresários e banqueiros
Ao
mesmo tempo em que mais de R$ 30 bilhões de recursos públicos são gastos com a
Copa, somente R$ 25 milhões são destinados a programas de combate à violência
contra a mulher. O governo federal, enquanto destinou 42% do orçamento geral da
União de 2014 para pagamento de juros e amortizações da dívida pública, que
beneficiarão sobretudo os banqueiros, deixou para a saúde menos de 4% e para a
educação 3,44%. As mulheres, maior parte dos pobres do país, são as mais
afetadas com a precarização da saúde e educação públicas.
A CUT
tem defendido a reforma política como forma de diminuir a desigualdade entre
mulheres e homens. Mas já percebemos que o simples aumento da participação
feminina na política não significa um aumento de políticas e investimentos
destinados às mulheres. Temos hoje uma mulher na Presidência da República e as
mulheres do nosso país ainda sofrem com a violência e a falta de recursos para
a aplicação da lei Maria da Penha, com a diferença salarial (Dilma vetou a lei
que obrigaria os empresários a pagarem salários iguais para mulheres e homens
que exercem a mesma função) e com a precarização dos serviços públicos. Em
defesa das mulheres trabalhadoras, é preciso sim mudar a política econômica do
país que hoje privilegia os interesses dos empresários e banqueiros sobre as
necessidades da maioria da população e das mulheres.
As
mulheres foram parte importante das manifestações que ocuparam as ruas do país
a partir de junho de 2013, reivindicando melhoria nos transportes públicos e
mais verbas para a saúde e educação. A luta deve continuar e a organização das
mulheres é fundamental para construirmos uma sociedade com igualdade e sem
violência.

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